PAINÉIS TEMÁTICOS

  • As propostas de comunicação deverão ser submetidas por email diretamente para os coordenadores de painéis, entre os dias 2 de março e 2 de abril
  • Os candidatos que sejam estudantes deverão ser, pelo menos, estudantes de mestrado
  • A resposta às propostas de comunicação será dada até dia 16 de abril
  • As inscrições terão início no dia 17 de abril em formulário brevemente disponível

 

PAINÉIS

1. NARRATIVAS E PROJETOS DE MODERNIZAÇÃO PARA O MUNDO IBÉRICO
Coordenadores: 
Ana Nemi (Universidade Federal de São Paulo) - ana.nemi@hotmail.com
Rafael Ruiz (Universidade Federal de São Paulo) - rafarui@hotmail.com
 
Resumo: 
A presente proposta se relaciona ao tema Ciência, modernidade e modernização e tem como elemento articulador e aglutinador para o debate as aproximações e dissonâncias entre as muitas e distintas narrativas e projetos que foram elaborados entre os séculos XVIII e XX para o mundo ibérico. O ponto de partida é a chamada crise de consciência europeia, localizada entre os séculos XVII e XVIII, assim como os projetos iluministas e processos revolucionários que pretenderam fundar, ou refundar, o mundo ibérico na contemporaneidade. Os termos narrativas e projetos não são fortuitos nesta proposta, trata-se de reunir pesquisadores cujas distintas pesquisas permitam complexificar os estudos sobre a experiência ibérica de modernização em suas muitas dimensões, especialmente nos planos político, literário ou institucional. Espera-se, assim, colocar em diálogo estudos sobre as modernidades instituídas efetivamente em políticas públicas, e aquelas projetadas e/ou fabuladas em narrativas de linguagens diversas. 
O tempo longo sugerido, entre os séculos XVIII e XX, também não é fortuito. Se é fato que entre as muitas modernidades projetadas e/ou fabuladas no século XVIII, e os seus enraizamentos possíveis no século XIX, ou as suas transformações e reificações no século XX, há muitas conjunturas e circunstâncias muitas vezes difíceis de aproximar, é também verdade que a escrita da história ibérica muito se beneficiou com as narrativas e interpretações de tempo longo sobre a aventura ibérica entre a modernidade e a contemporaneidade. Desta forma, acreditamos, será possível problematizar termos normalmente utilizados para definir a experiência ibérica na época aqui destacada, tais como “decadência” e “atraso”, que constituem, muitas vezes, essencialismos que sublimam a história e as circunstâncias enfrentadas pelos personagens históricos estudados, mas que podemos encontrar em textos políticos e literários e em ações institucionais modernizadoras ou críticas da modernização.
 
 
2. CULTURA E ARTE, INTELECTUAIS ORGÂNICOS E MODERNIDADE.
Coordenadora: 
Flavia de Oliveira Barreto (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - flaviabarreto2011@gmail.com
 
Resumo: 
Os estudos sobre Cultura e Arte e seus impactos no âmbito nacional e internacional estão em diálogo com o debate sobre a Modernidade como fenômeno vivenciado no universo Ibero-Americano. “Continuamos a correr para o desconhecido”, afirma Huizinga (1946) que nos impele a perceber a atualidade dos estudos sobre Cultura e Arte e nos convida à consciência de que o conhecimento, no campo das Ciências Sociais, tende a se abrir a novas referências temáticas cujo debate se articula entre “incertezas e inquietudes” (Chartier, 2002). O objetivo do Painel é o de possibilitar a socialização das referências conceituais próprias das questões de natureza teórico-metodológicas fundamentais ao campo dos que desenvolvem pesquisas sobre a complexa relação entre indivíduos e sociedade, representações, ideias e práticas, subjetividade e realidade. Estas são questões presentes nas trajetórias de intelectuais orgânicos, portadores de saberes, práticas e significações, e que atuam em campos específicos, vinculados à cultura e à arte, percebidas especialmente pelas metodologias vinculadas à História Oral/História de Vida e narrativas (auto) biográficas e seus dilemas para explicitar a relação entre memória, Arte e Cultura e os condicionantes culturais, sócio-históricos e políticos da produção/ação intelectual.
Portanto, a motivação para a realização deste painel é receber, debater e socializar os estudos e promover espaço dedicado a Cultura e Arte, intelectuais orgânicos e modernidade temas presentes no Colóquio Tradição e Modernidade, e objetos de desafios teórico-metodológicos nos usos e produções da história oral/história de vida e (auto) biografias.
 
3. INTELECTUAIS, EDUCAÇÃO E PROJETOS NACIONAIS: TRADIÇÃO E MODERNIDADE NO MUNDO IBERO-AMERICANO (SÉCULOS XVIII-XX)
Coordenadores:
Adir da Luz Almeida (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - adirluz@gmail.com
Washington Dener dos Santos Cunha (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - wdener@uol.com.br
 
Resumo: 
Pesquisas sobre intelectuais estiveram por algum tempo no “limbo” dos trabalhos historiográficos. Jean- François Sirinelli ao estudar a trajetória, a rede de sociabilidade da geração francesa entre - guerras, aborda a delicadeza dessa temática na historiografia. Sirinelli chega a dizer que o lugar da história dos intelectuais é “o ângulo morto”. Dentro de projetos educacionais do século XVIII ao XX, os intelectuais, com diversas formações e concepções diferenciadas, buscavam estratégias e táticas para produzir e consolidar o ideal de “nação moderna” tendo como perspectiva central que a sociedade, em geral, aceitasse projetos sociais e educacionais, sob a lente do avanço civilizador, emanados da capital da Republica, na época, e que estes soassem como “tambor de ressonância” para todo Brasil. O “avanço civilizador”, dentro da representação circulante no período, tem como sentido retirar a nação do que era considerado “obscurantismo”; “crenças irracionais”. A proposta deste simpósio tem como objetivos acolher, apresentar e debater trabalhos que possam contribuir com um dos temas propostos pelo Colóquio Tradição e Modernidade, no caso, o tema Intelectuais e Projetos Nacionais tendo como vetor a Educação.
 
 
4. LEOPOLDO ZEA, ALBERTO TORRES E JOSÉ LEZAMA LIMA -APROXIMAÇÕES (BARBÁRIE – IDENTIDADE E LATINIDADE)
 
Coordenadores:
Maria Teresa Toribio Brittes Lemos (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - mtlemos@uol.com.br
Alexis T. Dantas (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - alexis.dantas@gmail.com
Dejan Mihailovic (Instituto Tecnológico y de Estudios de Monterrey - México) - dmihailo@itesm.mx
 
Resumo: 
Zea, Torres e Lezama construíram formas singulares de pensar a América Latina e o Caribe. Zea e Torres representam a visão continental da latinidade e da pluriculturalidade da América Mestiça.  Zea incorpora o conceito de Raça Cósmica de Vasconcelos e constrói uma das obras mais expressivas sobre a América Latina: Discurso desde a Marginalização e a Barbárie. Torres adota teorias cientificistas e neoevolucionistas para explicar os problemas nacionais brasileiros através da colonização portuguesa e das características multirraciais raciais do país. Lezama Lima, introspectivo pela própria condição insular, hermético em seu mundo, busca no Caribe  a força da  identidade de resistência contra os opressores europeus e norte-americanos que forjaram a nação cubana. Esses intelectuais se preocupam com a barbárie da natureza,  do capitalismo, das identidades e com a construção da Latinidade.
O Simpósio  “Leopoldo Zea, Alberto Torres e José Lezama Lima  - Aproximações  (  Barbárie – Identidade e Latinidade )“ pretende revisitar o pensamento desses pensadores  e identificar em suas reflexões traços comuns que unam insularidade e continentalidade no  pensamento  latinoamericano
 
 
5.​ IDENTIDADE E CULTURA POPULAR NOS REGIMES AUTORITÁRIOS DO MUNDO IBERO-AMERICANO 
Coordenadores:
Maria Conceicao Meireles Pereira (Universidade do Porto) - mcoelho@letras.up.pt
Maria Emilia Prado (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - emiliauerj@gmail.com.
 
Resumo:
Os regimes autoritários que foram emergindo, sobretudo no período de entre guerras numa conjuntura de crise do paradigma liberal, tiveram ampla expressão no mundo ibero-americano e partilharam com os regimes seus congéneres (totalitários, ditatoriais, etc.) de outros espaços geográficos a utilização intensiva da cultura popular como meio de expansão e interiorização das ideias promovidas pelo poder político.
Num quadro de forte controlo e dirigismo da cultura, o demótico surgia como fonte principal de inspiração das políticas culturais, que o usavam não só como meio de propaganda e inculcação ideológica, de socialização do sistema de valores e de regras comportamentais, mas igualmente como forma de atingir a pretendida coesão nacional em torno de reelaboradas construções identitárias. 
A tradição popular, inventada ou genuína – se bem que esta última sempre selecionada e estetizada –. representou um forte papel simbólico de cariz nacionalista. A sua folclorização procurava dar resposta aos objetivos do regime, servindo o seu sentido de continuidade e legitimação histórica. Aliás, a história fundia-se com as tradições populares sendo ambas manipuladas e objeto de reinvenção com o fim de criar espetáculos de massas: efemérides, exposições, concursos, desfiles, cortejos, festejos de vários tipos.
Aproveitando o lastro etnográfico de oitocentos, valorizava-se o demótico, associado sobretudo ao mundo da ruralidade, mais conservador, em oposição ao urbano, contaminado por influências externas. Sucederam-se programas de recolha de informação junto da população campesina, em busca de uma cultura material vernácula, nas suas diversas vertentes (artesanato, trajes, tipos de habitação, ocupações profissionais, etc.), mas também de tradições orais, costumes, mitos e cultos demóticos.
A demanda das origens não deixava de, em muitos contextos nacionais, tornar patente as diferenças regionais, mas estas foram folclorizadas e resumidas numa manifestação plural da unidade nacional, fazendo-se a associação entre regionalismo cultural e patriotismo. Nesta exaltação do caráter do povo, não raramente, a vertente racial emergiu com veemência.
No labor de aggiornamento dos costumes ancestrais, sob vernizes modernistas, projetou-se um porvir de glória em que tradição e modernidade se enlaçavam.
Em muitos casos verificou-se a consagração académica destes estudos nos próprios planos curriculares, além de numerosas publicações de dimensão e qualidade diversas, patrocinadas pelo Estado.
Denominador comum destes regimes foi a criação de organismos estatais (ministérios, secretariados, departamentos, organizações de tempos livres, etc.) que visavam fins de propaganda política, generalizado enquadramento cultural, mas também de organização da atividade turística, já que o pitoresco e o típico, o local e o tradicional assumiam uma evidente utilidade na atração de fluxos turísticos. Salientava-se a convergência de interesses entre o turismo e a identidade nacional que levou à reinvenção de festas populares. 
 
6. ARQUITETURA E PATRIMÔNIO ENTRE A TRADIÇÃO E A MODERNIDADE NO MUNDO IBERO-AMERICANO
Coordenadores:
João Henrique dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro) - joaohenrique@fau.ufrj.br
Maria Clara Amado Martins (Universidade Federal do Rio de Janeiro) - mariaclaraamado@gmail.com
 
Resumo: 
As fortes tensões entre a tradição e a modernidade, suas continuidades e rupturas, manifestaram-se de forma bastante forte no campo arquitetônico. De modo especial, do meio-oeste dos EUA à América do Sul, buscava-se uma definição de identidade nacional, ora voltando-se ao passado colonial, ora rompendo com ele. Antecede o momento do nascimento do modernismo e do movimento moderno. Também na Península Ibérica, diretrizes políticas foram pano de fundo para a manifestação dessas tensões entre tradição e modernidade.
 
7. A HISTÓRIA DOS INTELECTUAIS ENTRE CIÊNCIA E COMUNICAÇÃO: RACIONALIDADE E DESMESURA
 
Coordenador: 
Nuno Bessa Moreira (Universidade do Porto) - knunoclio@gmail.com
Eurico Dias (ISCPSI - Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, Lisboa) - eurico_dias@sapo.pt
 
Resumo:
Não é tarefa fácil desenvolver estudos no âmbito da História dos Intelectuais. As dificuldades começam pelo embate com uma realidade múltipla e plural, densa e complexa, ao longo da diacronia. Simultaneamente, o conceito que lhe corresponde também coloca problemas e obstáculos. Todavia, a tarefa de tentar ultrapassá-los torna-se estimulante, constituindo um desafio permanente. Sejamos mais claros. O Affaire Dreyfus, ocorrido entre 1894 e 1906, constitui um marco, no entender de muitos estudiosos, no que tange à autoconsciência por parte dos intelectuais europeus acerca das actividades que desenvolviam, dos seus papéis e estatutos na sociedade. Todavia, esta leitura tem vindo a ser problematizada e matizada, podendo ser considerada etnocêntrica. Ainda assim, possui valor heurístico e instrumental, servindo, eventualmente, de ponto de partida para a discussão, ou de chegada, consoante as perspectivas em jogo.
Pode alegar-se, com alguma razão, que os intelectuais como realidade não surgiram no século XIX, sendo lícito afirmar que existem desde o dealbar da humanidade. Contudo, neste painel restringe-se a cronologia, por razões de ordem prática, de modo a concentrar a atenção no período que se estende da primeira Modernidade até à actualidade, no espaço ibérico, mas também ibero-americano. Serão acolhidas contribuições do foro epistemológico e empírico que destaquem práticas, discursos e representações de teor científico, sem esquecer que a ciência se inscreve na cultura, entendida esta num sentido mais lato ou num plano mais restrito. Procura-se ter em atenção projectos intelectuais nacionais, em contextos que favoreçam uma abertura a diálogos construtivos com espaços mais vastos, tendo em vista as virtualidades e aporias da Modernidade e da modernização, tematizando a polarização do debate entre racionalidade e desmesura, discutindo a validade desta suposta dicotomia.
Numa altura em que as identidades e as migrações tomam conta da agenda mediática, importa desenvolver uma reflexão permeável a enquadramentos históricos, de modo a evitar anacronismos excessivos ou presentismos exacerbados. O sentido crítico dos intelectuais é passível de constituir um agente catalisador da sua actividade científica, entendida numa perspectiva disciplinar ou profissional (mas também inter ou transdisciplinar), sem esquecer a cidadania ou a intervenção no espaço público e na opinião pública (conceitos problemáticos e polissémicos). Os circuitos comunicacionais nos quais os intelectuais se envolveram ao longo da história e em que continuam a participar na actualidade incluem academias, sociedades, mas também jornais e revistas. Interessa analisar temáticas afins, alimentando vivo debate em torno da História da Ciência, da Cultura e da Comunicação, tendo a História dos Intelectuais (e a relação jamais pacífica com a História Intelectual) como plataforma.